quarta-feira, 30 de maio de 2007

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois, sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos... Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátria, tendes tectos, E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... Eu tenho a minha Loucura ! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí! José Régio

terça-feira, 22 de maio de 2007

Sou assim

Transcendente (que transcende). (?) Sobre-hurnano (além do humano). (?) Oh feliz de quem entende, de quem busca e surpreende os pontos, a recta e o plano! Um pobre homenzinho ignaro, com os pés colados ao mundo, olha o alto e olha o fundo, consegue ver tudo claro. Deus te abençoe, meu amigo. Deus te dê o que desejas. Que palpes, que oiças, que vejas o sonho que anda contigo. Todo claro é escuro em mim. Não tenho asas nem rabo. Não SOU Anjo nem Diabo. Sou ASSIM. António Gedeão Nota: "António Gedeão, nasceu em Lisboa, em 1906. António Gedeão é o pseudónimo poético do cientista e historiador Rómulo de Carvalho, licenciado em Ciências Físico-Químicas.Fez tardiamente a sua estreia poética, em 1956, mas cedo revelou a preocupação com o destino do homem. Morreu em 1997, em Lisboa." Fonte: http://www.nescritas.nletras.com/poetasdeexpport/PoetasExpPort/poetasindice/archives/2004_05.html

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Dissonância - Miguel Torga

É o mesmo rio a cantar contente e o mesmo ócio vegetal a ouvi-lo. E o mesmo céu tranquilo a reflectir-se na sua pureza. E sou eu, na incerteza destes dias traídos, a caminhar ao lado, desatento, alheado, sem ócio, sem pureza e sem ouvidos.

domingo, 20 de maio de 2007

"Não basta dirigir-se ao rio com a intenção de pescar peixes; é preciso levar também a rede"

Bom, de volta às postagens, com um novo estilo, mais tranquilo e sobretudo mais EU... Novidades: Deixei realmente de fumar :-) isto é, daqui a uns anos deverei fumar um cigarrito, mas agora ainda é cedo (pois porque isto de pensar que nunca mais se fuma stressa muito...) Segunda novidade: decisão de vida: agarrar as oportunidades com as duas mãos, dentes e pernas, pois podemos correr o risco de nunca mais as encontrar... eu sei!!!Vou começar a ser mais afoita e menos temerária!!! Andava demasiado presa! Uma coisa é ser ponderada outra é bloquear as situações e oportunidades!!!!Isto claro, com rede própria!!! Espero que gostem do meu novo velho estilo :-)

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Para mal que hoje acaba, não há remédio; o de amanhã basta.

Diz a sabedoria polular que não há mal que sempre dure.. nem bem que nunca acabe... ou ainda quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela... Pois é, eu acredito que essas frases são unicamente de esperança, do tipo "mentiras piedosas"... acredito mais na sabedoria da frase que deu título a esta "postagem" (é assim que se diz???? ) A vida tem fases, e por vezes torna-se necessário encerrar uma determinada fase da vida, tipo arrancar um dente, para que o resto dela possa decorrer sem aflições de maior. O problema está na escolha das etapas a fechar... e a sabedoria de se viver feliz, parece assentar na capacidade, que queremos inata, de o fazer... Daqui resultam escolhas... o que para mim é difícil... mas tenho de as fazer... Beijinhos grandes

sábado, 20 de janeiro de 2007

"Não é o que possuímos, mas o que gozamos, que constitui nossa abundância." - Provérbio Árabe

Pois como diziam os Romanos, "não vá o sapateiro além dos sapatos", não me vou colocar com grandes dissertações existencialistas... No entanto hoje ando a pensar nas minhas "riquezas" ... Serão tangíveis? Intangíeveis? Pessoais? Sociais?
Para definir os meus maiores "bens" pensei que uma boa estratégia seria pensar: Se tivesse 5 dias de vida, que "coisas" gostaria de rever uma última vez? A família? O cão? O jardim? O dinheirito amealhado? Cá para mim gostava, claro, de os ver a todos... até era capaz, se para isso houvesse tempo, de gastar alguns tostões, dando-o a quem melhor uso dele fizésse... Ele só é necessário, se não tivermos dependentes, enquanto estamos vivos... Mas não é isso que eu mais gostava de não perder... As minhas maiores riquezas só podem existir porque eu existo... E foi mais fácil decidir... Para mim as minhas maiores riquezas são as minhas recordações e aprendizagens... e essas, garanto-vos, levo-as TODAS comigo! (mas quanto mais tarde melhor, claro)!
"Os ignorantes, que acham que sabem tudo, privam-se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER"

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Retalhos da vida de uma viajante...

Querida mãe, querido pai... e restantes família e amigos: Por cá, em terras de Todo Mundo e Ninguém, está-se bem... Hoje redescobri um pouco do meu passado... Estou, como sabem, numa zona onde que passei seguramente dos melhores momentos da minha curtinha vida, pessoal e profissional (ainda não localizei "A Casa das Pedras Soltas" é verdade, mas já lhe sinto o cheiro). E até nadei cerca de muitos mil metros, em água aquecida, claro... mas mesmo assim, doem-me os braços... Este é um bom sítio para fazer a contabilidade, como estamos em época de balanços, não posso deixar para depois... Assim sendo e sem mais demoras, aqui vai disto. A minha vida, como a de toda a gente, tem bons e maus momentos. Hoje estou inclinada para as boas pessoas que encontrei nesta vida... ( a magia das pedras soltas continua a fazer das suas)... Conheci pessoas de quem não dava 5 escudos e que se revelaram... Hoje estou para os bons... Estou para os meus, leia-se a MINHA FAMÍLIA, e seus associados, para os meus AMIGOS de quem me tenho esquecido nos últimos tempos e de quem não sei notícias, mas sei que estão à minha espera, para quando esta viagem acabar poder correr para o seu ombro e oferecer o meu, estou para as pessoas que me dão uma indicação na estrada com um sorriso, que me dão os bons dias e por vezes as boas tardes... As boas noites reservo-as para mim... Não considero este um balanço final, talvez um balancete... Espero! Mas concluo que eu também fiz algumas coisas boas nesta vida e sei que não parece mal dizê-lo se não o detalhar... E sei sobretudo com quais pessoas posso e não contar... E isto é um belo princípio!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

É Natal! Hurra...Hurra...hurra

Todos os anos cá volta no Inverno...Vem com as luzinhas e o cheiro a casanhas assadas, vem também com os infindáveis anúncios a brinquedos, a chocolates e a campanhas de solidariedade feitas por quem, muitas vezes, nada faz durante ano. Todos os anos, com a mesma certeza de que o Natal está a chegar, também chega o meu espirito natalicio. Adoro o NAtal, adoro o borbulhar das pessoas na rua, a compra das prendas, o enfeitar a arvore e o montar do presépio. Adoro as luzinhas pela cidade e adoro os doces e os enfeites. Eu sei que nada traz de volta os meus Natais de criança e que dificilmente voltarei a passar um Natal com os meu manos todos...eu sei tudo isso. Também sei que não existe Pai Natal e que, só por ser Natal, as pessoas não vão ser mais felizes, nem ser mais bondosas, ...eu sei!!! Mas, pelo menos uma vez durante o ano, eu finjo que o Conto de Natal de Dickens realmente existe e que vai ser tudo dourado e vermelho e sonho com uma noite à lareira a cheirar as filhoses e com todos à nossa volta. Adoro o NAtal confesso...só queria que fosse NATAL para todos

sábado, 9 de dezembro de 2006

Quem sabe, muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe...e mente!

Está claro que nem toda a gente diz o que sabe... e muita gente não sabe o que diz... Ora, o que parece um jogo de palavras é na verdade uma verdade, excepto para os mentirosos... Feliz seria se lhes crescesse o nariz como ao Pinóquio... Mas a verdade é que tal nunca aconteceu e portanto temos de nos sujeitar a apanhá-los... Também para se ser mentiroso é preciso ter memória. A contradição, para quem não sabe mentir, é um dos modos de serem apanhados. Mas não só, pois quando forem confrontados com a sua mentira, é bom que se lembrem que a impingiram e não digam quem? Eu não disse nada disso... Estás a confundir mais uma vez... Pois é, as pessoas honestas vêm-se, de um modo muito geral, face a face com o engano. As outras realmente têm de ser apanhadas e, quando isso acontece, é bom que sejam ADULTOS e assumam não só as consequências dos seus actos, como também a remediação das más memórias e maus momentos que inflingiram... Noutro ponto do Globo está a mentira piedosa, mas sobre essa eu não vou escrever, hoje, pois não pode de modo nenhum estar "na mesma página" que as outras...